Guerra política em Itaguaí escancara disputa de poder enquanto população vive insegurança 

Itaguaí vive dias tensos. Por trás da aparente normalidade, uma guerra por poder político se desenrola com intensidade nas últimas semanas. A disputa expõe fissuras no Executivo e no Legislativo municipal. Enquanto a população espera acesso regular à saúde, segurança e serviços básicos, as lideranças locais se envolvem em episódios de chantagem, ameaças e escândalos. 

A cidade registrou tiroteios em bairros periféricos nos últimos dias, como Jardim América e Sem Terra, reforçando a sensação de insegurança entre os moradores. Relatos de troca de tiros à luz do dia circulam nas redes sociais, enquanto paralelamente um confronto se intensifica nos bastidores da política local.

Plano para incriminar Rubão 

Um áudio revelado pelo portal Metrópoles, nesta segunda-feira (14), revisitou uma conversa entre o ex-secretário de Segurança Pública de Itaguaí e ex-vereador da cidade, Roberto Lúcio Guimarães (PMDB), conhecido como Robertinho, e o vereador Haroldo de Jesus (PDT), o Haroldinho, presidente da Câmara Municipal e ex-prefeito interino. Na gravação, Robertinho fala em “plantar” cocaína no carro do prefeito Rubão (Podemos) para incriminá-lo em meio à disputa pela chefia do Executivo. A fala continua com “Aí tá morto duas vezes”, afirma Robertinho no áudio. Haroldinho responde: “É, tem que matar ele”. 

O conteúdo, segundo a apuração, foi gravado em 2 de julho, cinco dias após Rubão fazer graves acusações contra a administração interina de Haroldinho em entrevista exclusiva à Rádio Costa Verde. No dia seguinte à gravação, a Câmara instaurou uma Comissão Especial Processante (CEP) e uma CPI para investigar a gestão de Rubão. Os áudios sugerem que havia um plano em andamento para cassar o prefeito antes do julgamento final do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Clima de guerra

O ambiente político segue inflamado. A CEP apura denúncia de desvio de R$ 60 milhões em contratos de limpeza urbana, enquanto a CPI investiga um contrato emergencial de R$ 22 milhões para a gestão da UPA da cidade.

Por sua vez, Haroldinho afirma que “não reconhece a existência das gravações” e que repudia qualquer prática ilícita. Rubão e Robertinho ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o caso. Enquanto isso, Itaguaí segue em suspenso em meio ao recesso parlamentar. Famílias à espera de atendimento médico, moradores inseguros em seus bairros e um orçamento bilionário (R$ 1,2 bilhão em 2025) sendo disputado em meio a estratégias sombrias e alianças quebradas.

Da entrevista ao contra ataque

A guerra política se inflamou com o áudio divulgado. Mas ela começa para o público com as declarações de Rubão, no dia 27 de junho, em uma transmissão ao vivo da Rádio Costa Verde. No microfone, o prefeito traçou um cenário de “terra arrasada” deixado pela gestão interina e mencionou corrupção, falta de estrutura e auditorias fiscais. Em uma de suas falas afirmou que “os responsáveis pagarão”, caso encontrasse erros ou crimes. 

Na trincheira, Haroldinho, por sua vez, respondeu em uma live, feita no dia 2 de julho, mesmo dia da gravação, em frente a Escola Municipal Vereador Professor Arthur Brito de Castro. Segundo ele, sua saída não impactou os cofres públicos. Havia deixado R$ 180 milhões em caixa. Além disso, acusou Rubão de travar obras, atrasar salários e sabotar ações planejadas em seu governo interino. 

Em vez de soluções para cidade, na realidade a população se depara com disputas, insegurança administrativa e social, quando buscam somente paz e qualidade de vida. Refém do fogo cruzado entre aqueles os quais elegeu sem perspectiva para melhores cenários. 

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