Um acordo de cooperação técnica assinado pelo superintendente da Receita Federal da 7ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo), Claudiney Cubeiro, e o reitor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Roberto Rodrigues, vai permitir a consolidação de uma iniciativa que já completa 16 meses, com a utilização de produtos apreendidos pela Delegacia da Alfândega do Porto de Itaguaí em projetos de tecnologia desenvolvidos pelo Instituto de Ciências Exatas da UFRRJ (ICE/UFRRJ), seguindo o conceito do projeto 3Rs, que significa reciclar, reutilizar e ressignificar.
Durante solenidade na segunda-feira (11), em alusão aos 16 meses da parceria, o coordenador do projeto 3Rs na UFRRJ, professor Robson Mariano, que é diretor do ICE/UFRRJ, destacou a importância da iniciativa. Ele acentuou que ela permite a estudantes da rede pública de escolas de Itaguaí, Seropédica e Mangaratiba tenham acesso às tecnologias digitais. Representante da Cidadania Fiscal da Superintendência da Receita Federal da 7ª Região, Carolina Rique enfatizou o propósito do acordo. “É uma forma de consolidar o projeto, permitindo que suas ações sejam permanentes, independente de quem esteja à frente das instituições”, disse ela.

Visita aos laboratórios
Após a solenidade na biblioteca central, as autoridades visitaram os laboratórios onde equipamentos como TV box viram aparelhos como computadores e robôs desenhistas. Ali também havia camisas descaracterizadas, jogos educativos e carregadores de celular feitos a partir de baterias de cigarros eletrônicos. “É uma ideia genial de inclusão e tecnologia. Um grande avanço para as comunidades se manterem atualizadas. Ter a tecnologia em casa é muito importante”, destacou Rita Oscar Marçal, primeira secretária da Associação da Comunidade dos Remanescentes de Quilombo da Ilha da Marambaia (Arqmar), em Mangaratiba. Segundo ela, todos os alunos da Escola Municipal Levy Miranda receberam computadores ressignificados pelo projeto 3Rs, com o uso de TVs box apreendidas pela Receita Federal no Porto de Itaguaí.

Inclusão digital de estudantes da rede pública
Estudantes da rede pública dos municípios de Itaguaí, Seropédica e Mangaratiba estão sendo beneficiados pela inovadora iniciativa inovadora que une sustentabilidade, responsabilidade social e inclusão digital. O projeto tem como principal objetivo recondicionar equipamentos eletrônicos apreendidos pela Receita Federal. Dentre eles estão computadores, notebooks e acessórios, para posteriormente doá-los a escolas públicas e estudantes em situação de vulnerabilidade social. A ação não apenas amplia o acesso à tecnologia, como também contribui para a formação técnica de estudantes universitários, que participam ativamente do processo de recuperação dos equipamentos, como é o caso do estudante Gabriel Pereira, estudante de engenharia de alimentos, que fez uma exibição de um drone controlado por um dos computadores ressignificados no projeto.
Avaliação cuidadosa das doações
O professor Robson Mariano enfatizou que todos os itens doados pela Receita Federal têm cuidadosa avaliação. Os dados são apagados com segurança e passam por manutenção completa antes de serem entregues às escolas da região. “O projeto 3Rs representa um ciclo de transformação. Aquilo que seria descartado ou destruído ganha nova vida e serve como ferramenta de aprendizagem para quem mais precisa”, destacou ele, sem conter o entusiasmo com a iniciativa.
A Receita Federal, por sua vez, tem papel fundamental na destinação dos bens apreendidos. Ao invés de destruir ou leiloar os equipamentos, a instituição opta por dar uma nova finalidade a esses itens. Dessa forma, alinha-se aos princípios da economia circular e da responsabilidade social. “A parceria com a UFRRJ reforça nosso compromisso com a educação e a cidadania; Também de contribui para a redução do lixo eletrônico”, disse ao Atual o superintendente Claudiney Cubeiro.

Sintonia com os ODS da ONU
O nome do projeto faz referência aos três pilares da sustentabilidade: Reduzir, Reutilizar e Reciclar. A ideia central é transformar o que seria descartado em oportunidade de aprendizado e inclusão. Assim, há uma contribuição com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Em especial os que tratam de educação de qualidade, redução das desigualdades e consumo responsável. Além de beneficiar os estudantes da rede básica, o projeto fortalece a relação entre universidade e comunidade. Assim, incentiva a prática da extensão universitária e promove um impacto positivo de longo prazo.
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