Mais de 5 mil uniformes escolares encontrados em galpão; Prefeitura rebate 

A educação pública de Itaguaí voltou ao centro das atenções após uma denúncia envolvendo a distribuição de uniformes escolares. Mais de cinco mil peças, entre camisetas, bermudas, calças e centenas de pares de tênis, foram encontradas estocadas em um galpão, prontas para entrega. Enquanto isso, estudantes da rede municipal seguem frequentando aulas sem o material essencial.

A situação apurada em 29 de agosto, quando a Comissão da Câmara Municipal recebeu denúncias sobre a falta de uniformes. Na ocasião, a Prefeitura alegou problemas contratuais com a empresa fornecedora, justificando a não entrega. Entretanto, a vistoria dos vereadores Nando Rodrigues, Haroldinho de Jesus, Fabinho Taciano e Agenor Teixeira confirmou a existência dos itens guardados.

Suspeitas 

O presidente da Câmara, Haroldo Jesus, classificou o caso como “inadmissível”. Segundo ele, não faz sentido que os estudantes estejam em sala de aula sem uniforme, enquanto milhares de peças permanecem estocadas. A suspeita é de que o material recolhido das escolas continha símbolos de uma gestão anterior.

Os vereadores questionam a versão da Prefeitura e levantam a possibilidade de manobras políticas para abertura de novos contratos emergenciais. “É lamentável que o dinheiro público esteja sendo tratado como instrumento de desperdício ou interesses particulares”, disse Haroldo em nota oficial. O caso foi encaminhado ao Ministério Público para investigação.

A denúncia ganhou repercussão nas redes sociais. Muitos moradores expressaram indignação com o episódio. Comentários criticaram tanto a Prefeitura quanto os vereadores, apontando que a população já vinha cobrando a entrega dos uniformes há meses.

Rebate da Prefeitura

Em resposta, a Prefeitura de Itaguaí apresentou documentos e uma versão diferente dos fatos anteriormente denunciados. Segundo a atual administração, os uniformes encontrados fazem parte de um contrato firmado em 30 de abril de 2025, durante a gestão interina de Haroldo de Jesus, prefeito provisório na época. O contrato, assinado pela então secretária de Educação Zélia Maria Corrêa com a empresa CB News Comercial Ltda, equivalia a R$9,8 milhões.

Segundo a Prefeitura, a empresa solicitou a rescisão unilateral em 23 de junho, primeiro dia útil do mandato de Rubem Vieira, alegando aumento de custos de frete e insumos. Com isso, houve interrompimento no fornecimento dos materiais. Além disso, os itens armazenados representam 8,4% da demanda da rede municipal, a qual atende mais de 20 mil alunos, conforme relata a Secretaria de Educação.

Em nota, a Prefeitura destacou que os uniformes do ano letivo de 2025 não foram entregues antes de assumir o cargo. “A responsabilidade pela distribuição era da administração interina, que esteve à frente do município entre 1º de janeiro e 16 de junho, período em que a entrega deveria ter sido realizada”, disse.

Indignação popular

A reação da comunidade foi imediata. “Triste ver isso acontecer com nossas crianças”, escreveu uma mãe de duas alunas da rede pública. Outro internauta destacou: “É perseguição política que prejudica diretamente a comunidade escolar”. Houve ainda quem solicitasse auditorias mais amplas em todas as secretarias municipais, não apenas na Educação.

Entre críticas e desabafos, uma frase se repetiu: “As crianças não têm culpa da política”. Esse sentimento reforça a pressão para a investigação avançar e responsabilizar os envolvidos. Enquanto a apuração segue, famílias arcam com os custos de uniformes por conta própria. O caso expôs não somente um possível desperdício de recursos, mas também o distanciamento entre a administração municipal e as necessidades da população.

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