UFRRJ e comunidade de Seropédica protestam contra construção de presídio

A comunidade acadêmica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) convocou para esta terça-feira (23), manifestação na Câmara de Vereadores de Seropédica para se opor ao projeto do Governo do Estado do Rio de Janeiro, que visa construir um complexo prisional na cidade. O protesto foi convocado pela reitoria da universidade, Diretório Central dos Estudantes (DCE), União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES) e outros coletivos organizados.

A ideia do presídio

O projeto do governo do Estado do Rio de Janeiro procura terrenos para a construção de uma unidade prisional. Um dos locais candidatos fica no KM 106 do Arco Metropolitano, em Seropédica. Os responsáveis pelo projeto já fizeram uma sondagem formal dos valores, algo que preocupa a reitoria da universidade: “a verificação sequer foi comunicada aos poderes Executivo e Legislativo da cidade. O projeto, de caráter público, tem sido planejado ocultamente, sem discussão com os entes envolvidos”, afirmou o pró-reitor adjunto de Extensão da UFRRJ, professor Marcos Parsche.

Segundo o professor da UFRRJ, José Cláudio Souza Alves, conhecido como “Chicão”, especialista em violência urbana na Baixada Fluminense, o desenvolvimento do município de Seropédica tem como eixo justamente a direção geográfica onde se estuda a implantação do complexo prisional: “o projeto descarta a população pobre e abandonada e áreas ambientais degradadas exatamente no espaço que temos para fazer a cidade crescer”. De acordo com Chicão, um presídio poderia mexer nas disputas dos grupos armados na região: “novos conflitos levariam a cidade a viver um inferno maior do que já se vive hoje”.

Posição da UFRRJ

A UFRRJ havia divulgado nesta segunda-feira (22), uma Nota Técnica contrária à ideia do presídio em Seropédica. O principal argumento é a desarmonia entre o projeto do governo do estado e o Plano Diretor Participativo – documento que dita regras sobre o uso do solo da cidade. A Nota será apresentada hoje (23), na Câmara Municipal, e vai recomendar a extinção do projeto. A Nota também afirma que o município tem tomado ações para buscar “um modelo de desenvolvimento com base em aportes industriais, mobilidade logística e inovação tecnológica”.

Na última terça-feira (16), a reitoria da universidade havia reunido-se com representantes de Prefeitura e Câmara para estudar uma resposta coletiva. Os grupos presentes se posicionaram contrários à construção de um presídio, entendimento que faz parte de um relatório técnico apresentado pelo pró-reitor adjunto de Extensão, professor Marcos Pasche. Foi decidido que acontecerá uma audiência pública no dia 8 de outubro, no câmpus da UFRRJ em Seropédica e que a Prefeitura deve entrar com ação cautelar para barrar o andamento do projeto do governo do estado.

Um dos locais sondados pelo governo do Estado para a construção do presídio fica em Seropédica (Foto: Reprodução)

Resposta da reitoria

Câmara de Vereadores, Prefeitura, UFRRJ e Embrapa são contrárias às obras. O reitor Roberto Rodrigues cita que a universidade sempre se colocará à disposição para elaborar planos de desenvolvimento que atendam às demandas da população de Seropédica: “a cidade é nova e cheia de antigas esperas em investimento em saúde, transporte, educação, cultura, lazer e segurança pública”. O reitor também defendeu que a vocação do município é o desenvolvimento tecnológico e atração de empresas.

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