Um adolescente de 13 anos morreu na noite de terça-feira (4) após ser picado por uma cobra em Itaguaí. O caso criou comoção na cidade e reforça a importância de conhecer, desde o primeiro instante, os cuidados corretos e os locais adequados de atendimento em situações que envolvem animais peçonhentos. Quando ocorrem picadas de cobras, escorpiões, aranhas, lagartas ou abelhas, o tempo é determinante para o sucesso do tratamento.
Segundo o Instituto Vital Brazil, referência nacional no atendimento a acidentes com animais peçonhentos, somente o soro específico é capaz de neutralizar o veneno. O órgão disponibiliza gratuitamente o “Guia de Bolso de Acidentes com Animais Peçonhentos”, com orientações sobre primeiros socorros e procedimentos médicos adequados.
O que fazer?
A recomendação é manter a calma e evitar correr ou movimentar a vítima, para reduzir a circulação do veneno. O local da picada deve ser lavado com água e sabão, e a vítima levada imediatamente a uma unidade de saúde, por meios próprios ou com ajuda de terceiros. O Instituto reforça que não se deve fazer torniquete, cortar o local da picada nem chupar o ferimento, pois essas práticas aumentam o risco de infecção e necrose. Também é desaconselhado o uso de pomadas, álcool, folhas ou gelo. Sempre que possível, tire uma foto do animal ou, se estiver morto, leve-o em segurança ao hospital para auxiliar no diagnóstico.
No atendimento médico, o paciente é avaliado por profissionais capacitados, e o médico define o soro adequado conforme o tipo de animal envolvido. O antiveneno é aplicado por via intravenosa, e apenas hospitais habilitados pelo Ministério da Saúde possuem o produto em estoque. Durante e após o tratamento, o paciente permanece em observação até a estabilização do quadro. O atendimento é gratuito e realizado pelo SUS.
Conheça os tipos de soro para cada animal
No estado do Rio de Janeiro, os acidentes mais comuns envolvem cobras, escorpiões, aranhas e lagartas. Veja a lista de animais e os tipos de soro indicados:
Cobra jararaca (Bothrops): antibotrópico.
Cascavel (Crotalus): anticrotálico.
Surucucu (Lachesis): antibotrópico-laquético.
Coral verdadeira (Micrurus): antielapídico.
Escorpião-amarelo (Tityus serrulatus): antiescorpiônico.
Aranha-marrom e armadeira (Loxosceles / Phoneutria): antiaracnídico.
Lagarta-taturana (Lonomia sp.): antilonômico.
Abelha (Apis mellifera): antiapílico (em fase de testes clínicos).
Os acidentes são mais frequentes no verão, quando o calor e as chuvas fazem os animais buscarem abrigo e alimento. Para reduzir riscos, mantenha quintais e terrenos limpos, use calçados e luvas ao manusear materiais acumulados, verifique roupas e calçados antes de vestir e evite colocar as mãos em buracos, pedras ou troncos. Ensine as crianças a nunca tentar capturar ou brincar com animais.
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