As operações portuárias são vitais para a economia e para toda uma cadeia logística de transporte mundial. Por trás da movimentação de grandes navios, existe uma rotina de manutenção essencial que garante a segurança e a eficiência da navegação: a dragagem.
Basicamente, a dragagem é um processo para retirar areia, lama e outros sedimentos do fundo de rios, lagos, canais de navegação, portos marítimos e fluviais, baías e áreas costeiras. Isso é necessário porque, com o tempo, esses locais ficam mais rasos devido ao acúmulo de material (assoreamento), prejudicando a passagem de embarcações. O objetivo principal é criar e manter canais navegáveis, aumentando o calado disponível para a passagem dos navios.
A atividade contribui diretamente para a logística portuária, o desenvolvimento econômico regional e a prevenção de acidentes, ao assegurar que as rotas estejam livres de sedimentos e obstruções naturais. As operações de dragagem são comuns em terminais portuários e fazem parte da rotina de manutenção para preservar a navegabilidade e a capacidade operacional.
O Porto de Suape, em Pernambuco, realizou um processo de dragagem no ano passado para o recebimento dos navios Suezmax. Ao atingir um calado com 20 metros de profundidade, o terminal pode receber um dos maiores navios do mundo e com capacidade de transportar até 170 mil toneladas. Já o conhecido Porto de Santos, em São Paulo, concluiu a manutenção em setembro. A ação, que durou dois meses, diminuiu o acúmulo de sedimentos que havia reduzido a profundidade do canal e dificultava a passagem de grandes navios.
A execução da dragagem
O processo de dragagem exige o uso de uma embarcação especializada, chamada draga. A operação segue um fluxo controlado e monitorado:
1. A embarcação especializada (draga) se posiciona no local de operação.
2. A draga suga o material do fundo usando tubos, como um aspirador gigante.
3. O material vai para uma cisterna no interior da draga.
4. Quando o compartimento está cheio, a draga leva o material para um local autorizado, o bota-fora.
5. A draga faz o descarte do material de forma controlada e em local licenciado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
6. Em seguida, a embarcação retorna ao local de origem da dragagem para repetir o processo.
Segurança e transparência
A segurança, o compliance legal e o respeito ao meio ambiente são prioridades em qualquer operação de dragagem.
– Licenciamento e fiscalização: A operação é licenciada por órgãos competentes e autoridades marítimas, seguindo rigorosos protocolos ambientais. Todo o processo tem acompanhamento de autoridades como o Inea e a Marinha do Brasil, garantindo conformidade legal e ambiental. A realização da operação está em conformidade com as exigências da Normas da Autoridade Marítima 303.
– Monitoramento ambiental: Durante toda a operação, diversos monitoramentos contínuos garantem a conformidade ambiental, incluindo: análise da qualidade da água, do material particulado em suspensão, do fitoplâncton e dos sedimentos. Há também o biomonitoramento em ostras, a medição do ruído subaquático e o avistamento de cetáceos e quelônios.
– Descarte (Bota-Fora): O material dragado é transportado e disposto no mar, em um local licenciado e determinado pelos órgãos fiscalizadores (Inea) em uma área técnica e ambientalmente segura.
Monitoramento 24h por dia
Toda a operação é monitorada 24h por dia por meio de um sistema de tracking que permite rastrear a draga. Os dados gerados são compartilhados, em tempo real, com a Marinha do Brasil e o Inea, ficando, também, registrados para consultas futuras, garantindo transparência e rastreabilidade do processo. Mais do que um simples serviço de engenharia, a dragagem é uma operação essencial para o transporte de cargas e para o funcionamento dos portos. É ela que mantém os canais profundos e seguros, permitindo que grandes navios continuem entrando e saindo com eficiência, um passo fundamental para o comércio e para o abastecimento de todo o país.
Leia também: OGMO inaugura Centro de Ensino e reforça a qualificação da mão de obra portuária