UFRRJ recebe evento “Sabores da Resistência” sobre gastronomia afro

A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) recebeu, nos dias 10 e 11 de dezembro, o evento “Sabores da Resistência”. O encontro, realizado no Hotel Escola, reuniu o conhecimento de especialistas acadêmicos e lideranças afro-religiosas com a expertise de cozinheiros, em rodas de conversa, aulas-show e apresentações de pratos típicos da culinária afro-brasileira.

A programação integrou o Circuito Gourmet da Gastronomia Afro, que propõe resgatar tradições e valorizar a identidade cultural por meio da comida. Os convidados debateram temas como a “Cozinha de Terreiro” e os “Saberes da Ancestralidade”, enquanto os cozinheiros uniram o conhecimento teórico à prática tradicional. A organização contou com parceria técnica da ABRACHEFS (Associação Brasileira de Chefs de Cozinha & Bartenders).

Pratos e debates

O chef Gerson Fernandes apresentou o prato “Raízes da Resistência”. A receita reúne mousseline de inhame, carne-seca desfiada e cebola caramelizada, combinação que remete à história e ao território.

As mesas de discussão ocorreram pela manhã e trataram da relação entre alimento, memória e espiritualidade. Entre os convidados para os debates estiveram o professor Otair Fernandes, o professor Brian Kibuuka, a iyá Clauciele T’Osun e a Mãe Nilce de Iansã, além de chefs convidados.

Resgate da tradição

O idealizador do projeto, chef Pedro Alex, explicou que a iniciativa foi criada para “resgatar nossas tradições culinárias, que foram se perdendo com o passar dos anos, e compartilhar essa riqueza cultural com as novas gerações”.

O chef destaca que o Circuito Gourmet da Gastronomia Afro existe para lutar contra a ausência de representatividade abrangente, o preconceito gastronômico e os estigmas. “A ideia é dar voz e vez à ancestralidade, por meio dos saberes e sabores da nossa culinária”, completa.

Mensagem de resistência

O evento buscou aproximar o ambiente universitário da UFRRJ e as tradições de matriz africana. O chef Pedro Alex apontou que essa junção ocorre pela sinergia acadêmica com as tradições alimentares ancestrais, em que “um trabalha a oralidade da comida e o outro traz os sabores para degustação”.

Para Pedro, a cultura alimentar de um povo fala sobre sua história, cultura e tradições. “Aqui, cada preparo é reza. Cada cheiro, uma lembrança. Cada ingrediente, um elo com a ancestralidade que sustenta a gastronomia preta no Brasil”, diz postagem do evento.

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