Encontro em Seropédica debate a economia azul na Baixada Fluminense

A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro recebeu, na terça-feira (10), o evento “Economia Azul do Estado do Rio de Janeiro”, com palestras promovidas por representantes da Secretaria do Estado de Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro (Seas-RJ), trazendo um recorte regional sobre o tema.

Diferenças para a “economia do mar”

Um dos participantes foi Thauan Santos, que tem pós-doutorado em Economia Azul pelo Instituto de Middlebury, nos EUA; e em Ciências Econômicas, pela Universidade de Bologna, na Itália. Segundo ele, a busca pela definição acadêmica do termo “Economia Azul” vai além da pura semântica ou preciosismo. Não há uma definição global estabelecida acerca do conceito.

O especialista destacou que a economia do mar é extrativista, buscando tirar recursos do oceano. Ele acentuou ainda que a sustentabilidade é a base e o diferencial da economia azul, e que a atividade econômica é pensada também a partir dos seus efeitos ambientais, sociais e climáticos. Segundo ele, o conceito é uma tentativa de traduzir as metas climáticas globais.

Economia Azul no Rio de Janeiro

As discussões que marcaram o encontro estão alinhadas com a Agenda 2030 da ONU, a partir das ODS 6, que trata de água potável e saneamento; e a ODS 14, que aborda a conservação da vida na água. Convém lembrar que o Rio de Janeiro é o único estado do Brasil a estabelecer uma política estadual de economia azul, com a Seas, cuja atual estrutura organizacional foi estabelecida em 2019.

Thauan Santos salientou que em 2024, o BNDES criou o “BNDES Azul”, um braço do banco que fomenta atividades no oceano, como conservação de corais, restauração de manguezais e recuperação ambiental de ilhas. Ele explicou que o programa trabalha diagnósticos dos usos e potenciais da economia azul. Também informou que em 2025, a Unesco reconheceu o Brasil como o primeiro país do mundo a tornar obrigatória a discussão sobre Cultura Oceânica nas escolas, a chamada “Cultura Azul”.

Estatísticas da região da Bacia do Guandu

Doutor em planejamento energético pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professor de Ciências Econômicas da UFRRJ, o professor Joilson Cabral apresentou estatísticas sobre a economia azul na Baixada Fluminense.

Segundo Joilson Cabral disse que existe uma dificuldade em conseguir mensurar o tamanho real da economia azul na região (Foto: Manel Pereira)

Segundo Joilson, existe uma dificuldade em conseguir mensurar o tamanho real da atividade. Em 2008, a economia azul da Bacia Hidrográfica do Guandu, região que corresponde à Baixada, somava 2.971 postos de trabalho formais. Em 2022, esse número saltou para 8.428. O rendimento médio no setor em 2008 era de R$ 1.353. Já em 2023, alcançou o patamar de R$ 4.231.

Baixada Fluminense

Segundo o professor Joilson, há um consenso na literatura de turismo que aponta que para cada emprego formal, há quatro postos de trabalho informais. Embora os números apresentem um setor formal dominado por homens, a maioria das mulheres desse setor da economia estão na informalidade, algo invisível na estatística oficial.

Ele disse que o ecossistema da economia azul na região é baseado em pequenas e médias empresas, e que a variedade de atividades é grande, incluindo pesca, turismo costeiro, exploração de recursos não-vivos, transporte marítimo, construção de barcos de lazer. Porém, o que eleva o número de postos de trabalho são as grandes empresas, como a Itaguaí Construções Navais e o Porto Sudeste.

Diagnóstico hiperlocal

Os eventos da Seas-RJ buscam fomentar a pesquisa sobre economia azul na região da Bacia do Guandu. “Não queremos trazer algo de fora. Queremos estudar a região para entendê-la. Precisamos de política pública, de política de estado”, reforçou o professor Joilson Cabral.

Para isso, a organização lançou um formulário para ouvir os atores locais da economia azul, que visa analisar as necessidades da região da Costa Verde e Seropédica e desenhar uma política de estado com abrangência local. O formulário pode ser acessado através do link

Organização

O encontro teve o apoio do Comitê Guandu. Além da Seas-RJ, o evento foi organizado pela Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica da UFRRJ, o Instituto Estadual do Ambiente e a plataforma Rio 2030.

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