“O povo tem que escolher melhor!”
RENATO REIS
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Eider Ribeiro Dantas Filho é um cidadão carregado de experiências, cuja trajetória o coloca como um dos homens públicos mais destacados no cenário político fluminense. Aos 79 anos, recém-completados no sábado, 3 de janeiro, possui um respeitável currículo. Foi vereador, vice-prefeito e secretário de Obras e Serviços Públicos na cidade do Rio de Janeiro, deputado estadual por três mandatos, candidato a vice-governador numa chapa com a ex-deputada federal Denise Frossard, presidiu as companhias de Iluminação do Rio de Janeiro (Rioluz) e Estadual de Gás (CEG-RJ), tendo exercido ainda a titularidade nas Secretarias Municipais de Obras de Itaguaí e de Seropédica.
Como secretário de Obras no governo César Maia, Eider Dantas foi responsável por icônicas obras na Cidade Maravilhosa, com destaque para o Estádio Olímpico João Havelange, o “Engenhão”, a Arena Olímpica, o Parque Aquático Maria Lenk, o Velódromo, a Cidade do Samba, a Cidade das Crianças, diversas Escolas-Padrão, Vilas Olímpicas e o Centro de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga.
Na terça-feira (6), ele recebeu em sua fazenda, em Seropédica, um grupo de amigos para celebrar sua nova idade, dentre os quais o ex-governador Luiz Fernando Pezão, atual prefeito de Piraí. Foi uma conversa sobre experiências políticas, terceira idade, e, claro, a política do estado e região. Em meio ao burburinho típico de tais ocasiões, o aniversariante recebeu a reportagem do Atual, a quem respondeu perguntas conforme a conversa que segue, em que, dentre outras coisas, ele acentua a necessidade de que a população tenha um voto mais consciente.
Confira os principais pontos da conversa
ATUAL – Como começou a trajetória do político Eider Dantas?
Em 1978 conheci o César Maia, que em 1980 me levou para o PDT onde fiquei por 12 anos trabalhando com o Grande Leonel Brizola. Daí em diante foi uma atuação na política sem parar.
Que aprendizados acumulou após o exercício de tão variados cargos?
Meu principal aprendizado foi sempre ter simplicidade sem deixar o poder subir à cabeça e ter sempre contato pessoal com a população.
Houve decisões que o senhor, hoje, considera não terem sido adequadas?
Fizemos mais de 6 mil obras como Secretário de Obras do Rio de Janeiro e tivemos alguns erros. O importante é que os acertos foram bem maiores
Algum momento decisivo que mudou sua forma de atuar na política?
Sim. Aprendi quando fui presidente da Companhia Estadual de Gás que liderança se conquista com exemplo e assumindo responsabilidades. A partir daí foi fácil e sempre consegui onde estive montar grandes equipes de colaboradores sempre liderando com humildade e responsabilidade.

Como foi atuar ao lado de uma figura histórica como Leonel Brizola?
Brizola e César Maia foram meus professores. Tudo que consegui como político foi graças aos dois.
Secretarias de Obras costumam lidar com desafios técnicos e orçamentários. Qual foi o maior deles no Rio de Janeiro?
A obra do estádio do Engenhão. Foram muitos problemas técnicos e o prazo de dois anos para a inauguração nos Jogos Pan-Americanos do Rio.
E em Itaguaí e Seropédica?
Foi ótimo trabalhar em Itaguaí e Seropédica, pois é outra realidade com orçamentos pequenos. Tivemos que fazer um esforço enorme para melhorar essas cidades.
Que obra ou projeto realizado sob sua gestão mais simboliza sua visão de desenvolvimento?
O programa Rio Cidade de revitalização de bairros. Realizamos 52 intervenções em toda cidade do Rio de Janeiro; e o Favela Bairro, pelo qual fizemos 150 intervenções em comunidades.
Por que tantas obras públicas no país começam e ficam por terminar?
Há uma falta de planejamento e, também, a pressa de alguns dos políticos para ter votos.
Quais foram os principais desafios ao presidir a CEG-RJ e a Rioluz?
Na CEG foi a disputa com a Petrobras, que queria, somente ela, distribuir gás natural. Não foi fácil. Na Rio Luz foi trocar a iluminação a vapor de mercúrio por leds e vapor metálico. Conseguimos trocar 200 mil pontos de luz na cidade.
Como melhorar a eficiência e a governança em empresas públicas?
Montando equipes de técnicos competentes para te ajudar a realizar.
Que avaliação o senhor faz da política nos dias de hoje?
Bem, vou votar no mais competente que já tenha provado ser competente e honesto. É difícil mas é possível.
Qual a sua visão sobre o cenário da política futura no estado?
Uma vez perguntaram a Ulysses Guimarães que o parlamento era fraco e tinha corruptos e ele disse. “Espere até ver o próximo parlamento”. O povo tem que escolher melhor! Espero um governador competente e honesto.
E em Itaguaí e Seropédica?
Em Itaguaí, que seja resolvida esta questão da terceira eleição, e que o povo possa escolher o melhor. Em Seropédica, que a população vote bem e escolha o melhor, já que a atual situação da cidade não é boa.
A política ainda é motivo de encanto nos dias de hoje?
Sim. Estou sempre colaborando com minha experiência e fico feliz quando posso ajudar e colaborar.
Que conselhos pode deixar para os jovens que desejam ingressar na política?
Entre na política, pois a renovação é boa. Seja honesto e monte boas equipes.
O que mais lhe dá orgulho ao olhar para sua trajetória?
Fiz o meu melhor. E tive coerência política.
Como resumir sua experiência numa mensagem para o público?
Fui um bom secretário de Obras e trabalhei muito. Além de ter sido presidente de grandes empresas, três vezes deputado estadual e vice-prefeito do Rio. Portanto, tentei ser bom naquilo que o povo me designou. E pelas minhas votações acho que consegui. Em 2002 tive 104 mil votos para deputado estadual.
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