Na Casa da Moeda, Lula celebra 90 anos do salário mínimo

Nesta sexta (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na Casa da Moeda do Brasil, localizada na Zona Industrial de Santa Cruz, para atender à cerimônia de 90 anos do salário mínimo. Criado na década de 30 durante o governo de Getúlio Vargas, a política do salário mínimo estabeleceu um piso nacional de remuneração e impactou diretamente na redução das desigualdades sociais.

A partir de 1º de janeiro deste ano, o valor do mínimo passou a ser de R$ 1.621, um reajuste de 6,7% comparado aos R$ 1.518 de 2025. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, frisou que sem a política de valorização (criada em 2006 durante o governo Lula I e retomada e ampliada em 2023, no governo Lula III) o salário mínimo valeria algo próximo de R$ 820. O presidente, no entanto, reconhece que o valor ainda não é satisfatório, ressaltando que é necessário que tanto o governo quanto a população sigam empenhados pela continuidade das políticas de valorização a fim de “distribuir melhor a riqueza do país”, o que geraria um fluxo contínuo de consumo e crescimento.

“Nós não estamos fazendo desse ato uma apologia ao valor do salário mínimo, porque o valor do salário mínimo é muito baixo no Brasil. Nós estamos fazendo apologia aqui da ideia de um presidente da República que, em 1936, criou a possibilidade de estabelecer um salário que garantisse aos trabalhadores os direitos elementares que todos nós temos. A gente morar, a gente comer, a gente estudar e a gente ter o direito de ir e vir. E desde que foi criado, o salário mínimo não preenche esses requisitos da intenção da lei”.

A moeda como símbolo nacional

A cerimônia marcou o lançamento de duas medalhas comemorativas, uma de prata e uma de bronze, com o conjunto artístico de ambas sendo composto por quatro cenas integradas: no lado esquerdo da arte, a imagem de Getúlio Vargas surge ao lado de referências à indústria, ao campo e à produção nacional, remetendo à criação da lei e ao desenvolvimento econômico do país. À direita, a cena destaca o povo e a família brasileira, diretamente impactados pelo salário mínimo, além da Efígie da República, que simboliza a solidez da moeda. Acima, mãos de diferentes tons sustentam o mapa do Brasil, em uma representação de união, diversidade e cidadania.

Presidente Lula defendeu continuidade das políticas de valorização do mínimo, CLT, estatais e reforma tributária.

O presidente da Casa da Moeda, Sérgio Perini, expressou o desejo de que as medalhas não sirvam apenas como uma homenagem, mas também “um símbolo de compromisso permanente do Brasil com um trabalho digno à justiça social e com o povo brasileiro.”

Esther Dweck, ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, enfatizou que países que não conseguem produzir sua própria moeda ou seu próprio passaporte “não são capazes de garantir o mínimo de dignidade e soberania”, enquanto o ministro Luiz Marinho reforçou que “um país que rechaça o processo de privatização está protegendo ativos que pertencem ao povo brasileiro”; o presidente Lula aproveitou para fazer uma defesa das empresas públicas enquanto pilares da soberania nacional, citando como exemplo, além da Casa da Moeda, os Correios, Banco do Brasil, Petrobras e Caixa Econômica Federal.

Tecnologia, direitos trabalhistas e desafios sociais

Em seu discurso, Lula também abordou outros assuntos, expressando preocupação com o uso da Inteligência Artificial, alertando especialmente as mulheres sobre o risco de “deepfakes” (como a criação de imagens falsas de nudez), descrevendo a IA como o início de uma “podridão tecnológica”. A crítica passou também pela dependência excessiva dos celulares, com o presidente afirmando que as pessoas estão deixando de ter relações humanas reais para se tornarem “algoritmos robotizados”.

Por fim, o presidente defendeu a CLT (Consolidação de Leis Trabalhistas) contra críticas de que estaria ultrapassada, afirmando que antes de sua criação o Brasil vivia em condições de “semiescravidão”, com jornadas exaustivas e sem direito a férias. A reforma tributária também foi mencionada como uma medida para reduzir as desigualdades e melhorar a distribuição de renda no país.

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