Na última quinta (27), Miguel Carvalho de Mendonça teve uma recepção calorosa ao retornar à sua cidade natal, Mangaratiba, após conquistar a medalha de ouro no Pan-Americano de Canoa Polinésia 2025, realizado em Rapa Nui, Chile. O jovem de dezesseis anos brilhou na categoria V1 Jr 16 e ainda levou o bronze na prova V6 Jr 19.
Morador da Praia do Saco, Miguel integra o projeto social Remando Para o Futuro, que é apoiado pela prefeitura de Mangaratiba e patrocinado pelas empresas Sotreq e Vale por meio da Lei de Incentivo ao Esporte. O treinador de Miguel no projeto, Rafael Castilho, discursou na festa surpresa, que entre os presentes teve familiares e amigos do jovem atleta, além de representantes da Vale. Uma das representantes, Thálita Mendes, recebeu um convite do próprio Miguel para ser madrinha do Remando Para o Futuro.
Ao Jornal Atual, Miguel descreveu o momento da competição como um misto de euforia e nervosismo. O nervosismo ele tentou controlar, relembrando uma das lições do treinador Rafael (“Quanto menos a gente ficar nervoso, mais longe a gente vai conseguir chegar”), e até aqui tem obtido sucesso: Miguel esteve no pódio em todas as doze competições que participou até agora. Mas a alegria da conquista não tira o foco de objetivos futuros, porém. “Agora é mais treino, mais treino, porque ano que vem tem a próxima etapa do mundial que vai ser em Singapura.”
Miguel destacou o crescimento pessoal transmitido aos alunos do projeto social pelo treinador. “Nos ensinou a ser pessoas melhores dentro e fora d’água. Eu quero ser igual ao Rafael, meu mestre, e criar um projeto social de canoa também, incentivando outras crianças aqui do município”. Incentivo este que Miguel já deu ao fim da entrevista, deixando um recado aos aspirantes a atleta para que sejam perseverantes, nunca desacreditem e continuem tentando, mesmo se ouvirem de alguém que não conseguem. Toda esta dedicação, é claro, deve ser conciliada com os estudos: “Tem que estudar. Não tem como ser atleta sem um mínimo de estudo, né?”

Um trabalho em sinergia
No discurso feito durante a recepção, o treinador Rafael Castilho relembrou o convite de João Siqueira Cavalcanti, idealizador do Remando Para o Futuro, para que integrasse o projeto; um momento que descreveu como “loucura” (sic), uma vez que Mangaratiba é uma cidade “que não tinha experiência com a canoa”. Felizmente, bastaram três anos para alçar o nome do município ao destaque mundial no esporte.
E se a empreitada do projeto social parecia ousada numa cidade que antes não tinha tradição na canoagem, foi ainda mais por outros motivos: o idealizador João Siqueira, que é executivo e engenheiro naval aposentado, tem experiência no esporte. Participou de campeonatos de vela, integrou a equipe de natação na universidade e praticou esqui aquático, além de ter começado a remar para frear o avanço do mal de Parkinson. Mas o professor Rafael, que tem formação como fotógrafo, não tinha experiência alguma. Ele participou de clínicas de remo e buscou aprender com pessoas com décadas de bagagem no esporte a fim de se qualificar para ensinar aos alunos. Isso fez os dois relembrarem toda a trajetória desde o início, e de momentos em que precisaram se reinventar.

No início, a Remando Para o Futuro contava com apenas uma canoa, doada por um amigo pessoal de João. Com o tempo, a Vale os ajudou a adquirir mais, o que veio acompanhado por um aumento no número de alunos. Elane Costa e Thálita Mendes, respectivamente Coordenadora e Analista de Relacionamentos com a Comunidade, contaram à reportagem que foram procuradas por João e Rafael antes ainda de o projeto ter uma estrutura ou CNPJ. Com apoio da Vale, a Remando Para o Futuro foi capacitada enquanto instituição para que pudesse se desenvolver.
“Em Mangaratiba e Itaguaí”, diz Elane, “a gente trabalha hoje com quarenta e três instituições o fortalecimento do terceiro setor e da associação. A Vale hoje investe 10 milhões em projetos sociais, atingindo uma média de 10 a 12 mil crianças, jovens e adultos”. Thálita complementa que, para a empresa, a maior motivação para realizar estas ações é acompanhar o desenvolvimento das crianças e jovens contemplados, com a conquista de Miguel sendo o grande símbolo da importância do investimento no esporte.
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