Manifestação cobra do HMSFX melhorias no atendimento após morte de adolescente picado por cobra

Na tarde de hoje (10), um protesto pacífico se concentrou às 14h na entrada da emergência do Hospital Municipal São Francisco Xavier. Os manifestantes exigiam melhores condições para o hospital da cidade de Itaguaí após a morte do adolescente Miguel de Jesus Silva, 13, que foi picado por uma cobra no quintal de casa. A unidade hospitalar não possuía soro antiofídico, que precisou ser obtido no Hospital Pedro II, em Santa Cruz.

Em nota, o São Francisco Xavier afirmou que o paciente chegou em estado grave, inconsciente e com taquicardia, e que o seguiu os protocolos para acidentes com animais peçonhentos e o soro foi aplicado. Para a família, porém, não em tempo hábil. A sensação de que o óbito de Miguel poderia ser evitado caso o hospital contasse com o soro causou indignação ente os munícipes, que não veem seus impostos convertidos em benefícios para a população.

A manifestação passou pela Rua General Bocaiúva, com paradas no Fórum de Justiça e Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, terminando na Prefeitura Municipal de Itaguaí. Os manifestantes levaram consigo cartazes de protesto, entre eles um que pedia justiça por Miguel, e outro que fazia um apelo ao Supremo Tribunal Federal (STF) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE), expressando insatisfação: “O povo não aguenta mais!”.

Lamento e voz pela saúde pública

A mãe de Miguel, Renata Gomes,  criticou a falta de recursos e remédios, que acredita ter contribuído para a morte do filho, e a burocracia do hospital. Segundo ela, ao chegar no local foi preciso primeiro fazer a ficha do paciente, o que teria contribuído para uma demora no atendimento. Renata apontou também para o descaso público: “Quem pode pagar, tem tudo. E aqui, quem não pode, vai morrer. Continua morrendo.

Aparecida Gomes, tia de Miguel, teceu a mesma crítica: “Onde ficam os filhos “deles” quando passam mal, se forem mordidos por uma cobra? No hospital particular.” Ela relatou que o sobrinho teve mais de uma parada cardiorrespiratória, sendo ressuscitado pelos médicos a cada vez., “mas o soro não chegava”(sic). “Hoje a gente chora lembrando do sorriso, chora porque não vai mais ouvir a voz dele no horário de escola. A dor é nossa.”

Outra presente na manifestação foi Luzia Nascimento, 60, que não possui parentesco com Miguel ou sua família, mas como cidadã se viu impelida a comparecer ao protesto: “Eu tô aqui como avó, como mãe, como moradora da cidade. de Itaguaí. Fiquei indignada, revoltada, e acho que a única forma da gente combater isso é fazendo iesse protesto pacífico para que possamos ser vistos e lembrados, para que não haja outros casos como o do Miguel, e a gente possa ter uma saúde de qualidade.” Ela também afirmou que o protesto foi idealizado espontaneamente, sem motivações políticas.

Miguel de Jesus Silva, de 13 anos, morreu na última terça (4) após ser picado por uma cobra em Itaguaí (Foto: Reprodução)

O que diz a lei

certidão de óbito apontou insuficiência cardiorrespiratória, edema pulmonar e hemorragia digestiva como causas da morte. O caso comoveu moradores e reacendeu debates sobre o atendimento de urgência no município.

Atualmente, hospitais municipais não são obrigados a manter estoques do soro antiofídico. No entanto, uma lei estadual sancionada em abril de 2025 determina que todas as unidades de saúde e parques florestais do estado passem a oferecer o medicamento e outros imunobiológicos contra acidentes com animais peçonhentos.

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