Imagens e vídeos enviados ao Jornal Atual por um leitor, que preferiu não se identificar, mostram a Praia de Sapinhoera, na Ilha de Itacuruçá, em Itaguaí, coberta por um pó preto após a forte ventania da tarde desta terça-feira (9). No registro, o denunciante demonstra preocupação e comenta que “deve ser minério lá do porto” (sic), associando a substância à movimentação de cargas na região. O material enviado impressiona pelo impacto visual: a faixa de areia aparece escurecida e com acúmulo do pó, o que gerou apreensão entre banhistas e moradores.
Contatos com empresas e autoridades
Diante da denúncia, o Jornal Atual entrou em contato com as principais empresas que operam minério na cidade e região — Porto Sudeste, CSN e Vale —, além da Prefeitura de Itaguaí, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
O Porto Sudeste respondeu prontamente, informando que não houve emissão de particulado em suas instalações nos últimos dias e afirmando que seria improvável que o material tivesse origem no terminal, considerando a distância e as condições geográficas. Até o fechamento desta reportagem, CSN, Vale e a Secretaria de Meio Ambiente não haviam se manifestado.
Apesar de a aparência remeter ao pó de minério de ferro, especialistas apontam que seria necessário coletar amostras para confirmar a origem do material. Enquanto isso, moradores seguem apreensivos com os possíveis impactos ambientais e de saúde pública.
Leia a íntegra da nota enviada pelo Porto Sudeste ao Jornal Atual:
O Porto Sudeste informa que não houve emissão de particulado em suas instalações nos últimos dias, quando foram registrado ventos fortes na região, com maior incidência na terça-feira (9/9).
Quanto ao local da ocorrência, pela distância e condições geográficas, a Praia Sapinhoera é um ponto improvável de uma eventual emissão com origem no Porto Sudeste.
A empresa segue rigorosos controles por todo o terminal para evitar emissão de particulados, como aspersão de água e aplicação de polímero (produto biodegradável à base de celulose) nas pilhas de minério. A correia transportadora é coberta, e os carregadores de navio possuem lanças que, além de ficarem bem próximas das aberturas dos porões, contam com defletores na ponta, que afunilam a queda do minério na embarcação, evitando arrasto pelo vento.
O Porto Sudeste ainda conta com um moderno sistema de controle da qualidade do ar, com seis estações, automáticas e semiautomáticas, localizadas em pontos estratégicos, determinados pelo Instituto Estadual do Ambiente, ao redor do terminal e área de influência. Os dados coletados são compartilhados em tempo real com o INEA.
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