Porto Sudeste e UFRRJ impulsionam projeto de geração de renda para pescadores da Baía de Sepetiba

O projeto “Mini Unidade Comunitária de Beneficiamento do Pescado na Baía de Sepetiba: Produtos de Valor Agregado e Aproveitamento Integral” conquistou o primeiro lugar no Hackathon Mar&Tech, iniciativa promovida pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) em parceria com o Porto Sudeste. A proposta, que será desenvolvida em conjunto pelas duas instituições, tem como objetivo agregar valor à produção pesqueira pela diversificação de produtos ofertados.

O Hackathon Mar&Tech: Inovação e Responsabilidade Social na Cadeia Produtiva da Pesca, Maricultura e Turismo da Baía de Sepetiba integrou ações da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021–2030), proclamada pela ONU, e reuniu equipes multidisciplinares da UFRRJ em busca de soluções inovadoras para os desafios socioambientais da região. A iniciativa faz parte de um movimento que une ciência, setor produtivo e comunidade local para fortalecer as comunidades locais e promover o uso sustentável dos recursos marinhos da Baía de Sepetiba.

Iniciativa alinhada aos ODS da ONU

A proposta vencedora apresenta a criação de uma unidade comunitária de beneficiamento do pescado, com tecnologia adaptada à realidade local e potencial de replicação em outras regiões costeiras. O projeto busca reduzir perdas e desperdícios, aumentar a renda dos pescadores e estimular a permanência dos jovens na atividade, com foco especial na valorização das mulheres na cadeia produtiva.

O modelo prevê o aproveitamento integral do pescado e de seus subprodutos, com produção de alimentos de valor agregado, como hambúrgueres, patês e salsichas. O projeto também prevê o uso dos resíduos gerados nesse processo, muitas vezes descartados, para a fabricação de silagem de peixe e comercialização para indústrias de farinha. A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 2, 8, 12 e 14b) e teve embasamento em estudos técnicos e econômicos que comprovam sua viabilidade.

Impacto para além da geração de renda

Kátia Mendes, nutricionista, doutoranda e mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela UFRRJ, foi uma das idealizadoras do projeto, que, segundo ela, destaca-se não apenas pela inovação tecnológica e pelo potencial de geração de produtos de alto valor agregado, mas também por seu alcance social, ao criar novas perspectivas para quem atua no setor. “No projeto, refletimos profundamente sobre a realidade atual da região. Queríamos pensar socialmente o impacto para além da geração de renda. A renda precisa vir acompanhada de outros benefícios” conta Kátia.

Para a nutricionista, a comunidade precisa se sentir valorizada. “As pessoas devem encontrar satisfação e motivação no que fazem para permanecer na indústria pesqueira. Muitos jovens têm se afastado do setor, mas ele é fundamental para a manutenção da disponibilidade de uma das principais fontes de proteína consumidas no mundo. É essencial formarmos profissionais autônomos nesse processo para que, quando nós do projeto não estivermos mais aqui, a unidade de beneficiamento possa continuar funcionando e se fortalecendo”, conta Kátia.

Destaque para a sustentabilidade e o turismo local

O Hackathon contou com mentorias realizadas por especialistas do Porto Sudeste, professores da UFRRJ e representantes da comunidade local, integrando saber técnico, científico e tradicional. As equipes foram avaliadas pelos critérios de inovação, impacto social e ambiental e multidisciplinaridade. O segundo lugar no pódio ficou com o projeto “Caiu na rede, é peixe!”. Ele apresentou uma proposta de criação de receitas sustentáveis e oficinas de capacitação profissional utilizando o pescado da Baía de Sepetiba. Isso com foco na promoção do turismo gastronômico e no fortalecimento da identidade cultural local. O projeto inclui aplicação de conhecimentos em termos de segurança alimentar e nutricional, bem como o desenvolvimento e divulgação de receitas inéditas.

Já o terceiro lugar foi o “Cultivo de Kappaphycus alvarezii como Solução de Biofiltração, Sequestro de Carbono e Geração de Bioinsumos”. Ele propôs o cultivo sustentável de macroalgas na Baía de Sepetiba. Seu objetivo é reduzir a eutrofização (excesso de nutrientes que provoca crescimento descontrolado de algas e desequilíbrios ambientais). E, também, promover o sequestro de carbono e gerar bioinsumos agrícolas, unindo sustentabilidade ambiental e inovação biotecnológica.

Parceria que gera transformação

Com a realização do Hackathon Mar&Tech, o Porto Sudeste e a UFRRJ reforçam seu papel como agentes de transformação social. Assim, estimulam a inovação, a formação técnica e o empreendedorismo nas comunidades do entorno. O projeto vencedor terá acompanhamento das duas instituições, que estudam caminhos para sua implantação efetiva nos próximos anos. Segundo Ulisses Oliveira, diretor de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade do Porto Sudeste, a expectativa é que o projeto vencedor avance em sua fase de implantação nos próximos anos. Ele terá apoio técnico das duas instituições e diálogo contínuo com os pescadores e lideranças locais.

“Queremos reunir diferentes talentos e competências para trabalhar de forma colaborativa neste projeto. A parceria com a UFRRJ, por meio do edital, permite acelerar a implantação da iniciativa. De forma independente ela levaria muito mais tempo para sair do papel. Os participantes do hackathon estão envolvidos em todas as etapas, do design à fase de testes. Assim, vivenciam um processo verdadeiramente multidisciplinar de troca de conhecimento e inovação”, destacou Henrique Salazar, Coordenador de Inovação e Transformação Digital do Porto Sudeste.

Empreendimento estratégico na Ilha da Madeira

O Porto Sudeste é um porto privado, projetado para movimentar diversos tipos de granéis sólidos e líquidos. É um dos mais eficientes do Brasil, com capacidade para movimentar 50 milhões de toneladas por ano. Além disso, tem licença de expansão para até 100 milhões de toneladas/ano. Está localizado em área abrigada na Baía de Sepetiba, na Ilha da Madeira, em Itaguaí. Ele é considerado estratégico para o escoamento da produção de minério de ferro vindo de Minas Gerais. E, também, para as operações de transbordo de petróleo e derivados dos navios que vêm da Bacia de Santos, berço do pré-sal. O Porto Sudeste gera empregos para a região, aumenta a arrecadação de impostos e promove o desenvolvimento para o município de Itaguaí.

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