As batalhas de rima, também conhecidas como batalhas de rap, se tornaram um dos movimentos culturais mais vibrantes das periferias do Brasil. Em Itaguaí não é diferente. Na cidade, a Batalha da PVC e a Batalha da Costa são um exemplo do improviso rimado como forma de expressão, educação e resistência no município.
Entre 2016 e 2017, surge o combate de palavras entre os jovens do município na Praça Vicente Cicarino. A dinâmica é simples: dois ou mais mestres de cerimônias, conhecidos como MCs, se desafiam com rimas criadas na hora, sem roteiro. O confronto exige mentes rápidas, criatividade, sonoridade e habilidade verbal e social para cativar o público. “Os MCs precisam ter uma boa dicção para recitar as poesias, que são o rap.” expressou Ana Luiza Duarte, idealizadora da Batalha da Costa.
No jogo de palavras, o vencedor é, geralmente, escolhido pela reação da plateia ou por jurados convidados. O tema pode ser livre, mas eles costumam falar sobre desigualdade, racismo, violência, política e identidade. Enraizada no hip-hop, as batalhas ultrapassam o entretenimento para o fortalecimento coletivo.
Criada por Davelha, MC e produtor musical, em parceria com Lucas Rocha, a Batalha da Costa surgiu como resposta ao esvaziamento de outro movimento na cidade. No começo, as dificuldades eram grandes: faltava estrutura, e o som muitas vezes era feito somente no vocal. Mas a persistência venceu. Com o tempo, os organizadores passaram a usar uma caixa de som e o evento foi ganhando força e respeito.
Mesmo sendo a pioneira no município a batalha da Costa não é a única roda que existe, em setembro de 2023 foi criada a Batalha da Costa, produzida por Ana Luiza Duarte. Ambos eventos dividem a mesma cidade mas não o mesmo lugar, enquanto uma leva o nome de onde é realizada, a praça Vicente Cicarino, a outra acontece no famoso “calçadão”, no centro de Itaguaí.
“As batalhas de rima vão além da diversão: são uma forma de escrever nossa história com nossa voz” disse Davelha. Principalmente porque o “hip-hop é educação, é identidade”, completou. Ana Luiza Duarte, já destaca que a arte da rima vai muito além do improviso: “O trabalho com esses jovens é puxar para perto de forma artística, para eles terem espaço e se sentirem inseridos e importantes.”
É através desse sentimento de pertencimento que adolescentes e crianças se expressam. As batalhas são símbolos da força criativa e do futuro que se desenha com palavras, beats e consciência. Além de oferecer espaço para a juventude, as batalhas também funcionam como uma vitrine. É ali, no calor da roda, que produtores descobrem novos talentos que levam o nome de Itaguaí a outros lugares.

A Batalha incentiva muitos jovens a escrever suas próprias músicas e a produzir seu próprio som, tornando-se um marco importante na cidade.
“Batalha de rima é uma forma de resistência e valorização cultural, ainda mais significativa agora que Itaguaí completa 207 anos.” afirma o produtor musical.