Em 2013, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), colocou no calendário nacional a campanha Setembro Amarelo, hoje considerada a maior mobilização anti estigma do mundo. O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é lembrado em 10 de setembro, mas as ações se estendem ao longo de todo o ano. Em 2025, o lema definido é: “Se precisar, peça ajuda!”.
Segundo a Organização Mundial da Saúde — OMS, mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. Para cada morte, estima-se que ocorram cerca de 20 tentativas. No Brasil, o número chega a 14 mil mortes anuais, que poderiam ser reduzidas por meio de informação acessível, apoio emocional e tratamento especializado.
“Se precisar, peça ajuda!”
Em entrevista ao Jornal Atual, a psicóloga Fernanda Pinheiro, especializada em Terapia Cognitiva Comportamental, comenta sobre a importância da campanha para a população, especialmente àqueles com quadro de depressão ou ansiedade. “É uma forma de conscientizar a população a vencer aquilo que traz tristeza profunda, abate a alma, com profissionais especializados […], entender que a pessoa não está sozinha”, afirma.
Causas
As causas, segundo especialistas, são multifatoriais. Elas podem estar ligadas a transtornos mentais, como depressão, ansiedade e dependência química, mas também às situações de violência, perdas afetivas, pressões sociais ou ausência de rede de apoio. Muitas vezes, sinais de alerta já estão presentes e não devem ser ignorados. Entre eles estão o isolamento social, mudanças bruscas de comportamento, falas de desesperança ou até a perda de interesse por atividades antes prazerosas.
Reconhecimento dos sinais
Reconhecer esses sinais e buscar ajuda profissional é essencial. Psiquiatras e psicólogos atuam como linha de frente na prevenção, oferecendo diagnóstico e tratamento adequados. Além disso, familiares e amigos podem desempenhar um papel decisivo ao praticar a escuta ativa, acolher sem julgamentos e demonstrar empatia. Ter uma boa escuta, ouvir a pessoa falar sem dizer que é frescura, mentira ou falta do que fazer”, completa Fernanda.
Segundo a psicóloga, é importante estar atento aos mínimos sinais emocionais e comportamentais. São eles: sensação de impotência; irritabilidade ou raiva frequente; ansiedade ou sensação de sufocamento; falta de esperança em relação ao futuro; mudanças de humor extremas e frequentes; isolamento social; dificuldade de concentração em realizar tarefas; reações exageradas; descontrole emocional; autolesão; e mudanças drásticas no estilo de vida ou comportamento.
Como reduzir os riscos
Um grupo de pesquisadores internacionais divulgou um estudo que comprova como os exercícios físicos podem auxiliar na prevenção e no tratamento da depressão. Conforme a pesquisa, atividades como caminhar, correr, fazer ioga, treino de força e dançar estão entre as práticas mais eficazes para combater a doença.
Em entrevista ao Atual, a profissional de educação física, Raianne Mattos, declarou: “Durante a prática de exercícios físicos, o corpo ativa os neurotransmissores mais comuns. São eles: noradrenalina, dopamina, serotonina e endorfina, os dois últimos conhecidos como hormônio da felicidade e prazer, respectivamente.”
A pesquisa reforça que o corpo em movimento é fundamental e a prática de exercícios pode ser uma ótima opção ou complemento aos tratamentos tradicionais, como medicamentos e psicoterapia. Na hora de escolher atividades, os especialistas recomendam optar por algo que você goste. Assim, fica mais fácil manter a motivação e continuar treinando com regularidade.
“É sempre recomendado que faça alguma atividade coletiva e de fácil acesso […] A interação entre as pessoas melhora a aptidão motora e o aumento gradual da autoestima”, completou Raianne.
Onde buscar ajuda
Para ampliar o suporte, o Centro de Valorização da Vida (CVV) disponibiliza atendimento gratuito e sigiloso pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia, em todo o território nacional. O serviço também pode ser acessado online, via chat ou e-mail (apoioemocional@cvv.org.br). Outra alternativa é procurar os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que funcionam como porta de entrada no Sistema Único de Saúde (SUS).